• Bruno Figueiredo

Seria este o futuro? O crédito acabou?


Tanto a crise de 2008 quanto na atual crise do COVID-19, achamos o crédito privado entre os mais atingidos.


A falta de previsibilidade para tomada de decisão impede qualquer cálculo sobre a possibilidade de retorno ou mesmo se teremos recursos necessários para honrar nossas obrigações.


O rápido e acentuado desequilíbrio entre necessidades e disponibilidade desarruma os preços relativos e, associado à maior percepção de risco, interrompe o curso do processo decisório.


Nesse contexto, cria-se o chamado empoçamento de liquidez, situação em que é preferível reter o dinheiro consigo a arriscar emprestá-lo, mesmo diante de taxas de juros muito atrativas.


epicentro da crise de 2008 foi o mercado americano com sérias repercussões no mercado europeu, o que fez com que seus respectivos Bancos Centrais empreendessem ações contundentes desde a redução das taxas de juros até programas agressivos de compra de títulos públicos e privados.


O Brasil, contudo, foi beneficiado por sua menor integração com o mercado mundial, e conseguiu minimizar os impactos negativos sem a necessidade implantar um programa de estímulo monetário tão arrojado.


Do lado fiscal, Executivo e Legislativo tem discutido e aprovado um conjunto de medidas fiscais, empacotadas no chamado orçamento de guerra, que criam despesas para o Tesouro Nacional, com reflexos no déficit público, para proteger os mais vulneráveis e minimizar os impactos sobre a economia.


Já que são imperiosas, a preocupação que resta é sobre o caráter transitório de tais medidas, que se encerrem junto com a crise ao invés eternizarem a desordem do orçamento público.


Do lado monetário, digamos assim, o Banco Central vem anunciando uma série de medidas para conter os efeitos da crise no front do crédito.


Passados mais de 15 dias do anúncio das primeiras medidas, contudo, o crédito continua travado e empresas reportam problemas sérios de liquidez.


Comércio e indústria acusam bancos de não emprestar e autoridades do governo reclamam que já tomaram as medidas necessárias, mas o empoçamento persiste.


Outra crítica recorrente, é que os fundos de investimento alocaram parte substancial de seus ativos em títulos de crédito privado de baixa liquidez em fundos com regate diário.


Olhando para o cenário atual com uma lente mais racional, é possível enxergar que o tamanho desta crise é suficiente para desarranjar modelos matemáticos e turvar a visão de quem precisa tomar uma decisão sobre o que fazer com o dinheiro em caixa.


Nesse contexto de altíssima aversão à perda, poucos estão dispostos a emprestar seus recursos o que leva a taxa de juros a subir.


Deve prover, recursos, garantias, legislação tempestiva e eficiente e, também, fiscalizar o cumprimento de acordos e coibir as manipulações que vierem a ocorrer.


Muito em decorrência da redução da taxa SELIC, nos últimos meses gestores vinham aumentando a parcela dos recursos em nesta classe de ativos, uma forma de melhorar a rentabilidade dos fundos.


Para as empresas uma fonte inestimável de recurso, já para os investidores a possibilidade de adquirir títulos privados de forma diversificada, evitando o risco de concentração de capital.


Em meio a esta tormenta, em um mercado tão pequeno quanto o de crédito privado, notícias sobre possível inadimplência de empresas e volatilidade causam saques, as cotas perdem valor e cria-se um círculo vicioso.

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